TRANSIÇÃO CAPILAR – se redescobrindo

Olá pessoal, este é o meu primeiro post,  e vou começar falando sobre aceitação, identidade, e da tão famosa (e temida) transição capilar.

Pra começar essa estória preciso voltar lá em 2005, quando me formei no ensino médio; Eu nunca fui muito de alisar o cabelo, mas nem por isso sabia como cuidar das madeixas, vivia com os cabelos molhados, e presos com um rabo de cavalo.

Quando me formei as 17 anos, resolvi mudar completamente e foi aí que eu alisei o cabelo pela primeira vez, cortei no estilo chanel, e resolvi adotar o alisamento como meu principal aliado para ser aceita na sociedade. Acreditava que para parecer bonita, eu teria estar parecidas com aquelas capas de revista, ou o mais próximo possível, mas só havia um detalhe: elas eram em sua maioria brancas, e as que não eram tinham os cabelos alisados, assim como os meus, tinha medo de que durante a fase adulta não fosse aceita na faculdade que cursei, ou que não chamasse a atenção dos meninos.

10 anos se passaram e eu vim contar, como a 2 anos me libertei (SIM ) dos alisamentos, da chapinha e das amarras dessa sociedade que ainda impõe e prega esteriótipos que machucam e oprimem a quem não faz parte, ou não se enquadram nesses padrões.

 

 2007/ 2011

Foram 2 anos de insegurança, medos, erros e acertos, onde tive muito apoio do amor da minha vida  Kim, da minha família, e dos meus amigos, que nem por um segundo duvidaram da minha capacidade de escolha, e que sempre estiveram comigo, presente nessa jornada que eu vou descrever post a post por aqui.

Como tudo na vida tem um início, eu decidi, depois de refletir durante alguns dias que iniciaria o processo de transição, (até então um simples desejo de resgatar os meus cachinhos) mas descobri que era mais do que eu imaginava, era a redescoberta da minha identidade como mulher negra,  resistência e empoderamento.

Início da transição 2015

transição  2015

Foram meses de choro, ansiedade, dúvidas e busca por produtos que me ajudassem suavizar esse doloroso processo (vou listar todos).  Muitas meninas que passam pela transição optam em acelerar ou encurtar o período de espera e fazem o BC – Big Chop, ou grande corte (vou sempre explicando esses termos, e enviando inspirações de meninas que fizeram o BC), eu optei por ir cortando aos poucos (foram ao todo 3/4 cortes), pra ir me acostumando melhor, mas olha não foi fácil lidar com as duas texturas que o cabelo apresentava.

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3º corte dezembro de 2015

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Janeiro 2016

Hoje quase dois anos se passaram e vejo que VALEU A PENA cada segundo, percebo o quanto a representatividade IMPORTA para mim e para outras meninas e adolescentes, que assim como eu tiveram e ainda tem dúvidas, entendi que o cabelo é empoderamento, e é dizer pra sociedade NÃO ao seu “embranquecimento”, NÃO aos seus esteriótipos, NÃO aos seus padrões, entendi também que o nosso País é ainda mais racista e cruel com as pessoas que resolvem dizer esses NÃOS para os padrões, e que temos muito a ensinar com os nossos cachos e crespos volumosos por aí.

Nos próximos posts, vou falar dos cuidados e dar mais detalhes de como foi a minha transição.

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Outubro 2016

E você tem alguma foto da sua transição, ou quer contar como foi a sua, use a hastag #AmoMeuCacho no Instagram que eu vou conhecer vocês e curtir a sua foto.

Beijos e até mais!

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7 comentários em “TRANSIÇÃO CAPILAR – se redescobrindo

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